O artista, nascido em São Simão em 27 de setembro de 1925, foi para a capital com 7 anos. Seu pai, de ascendência alemã, era mecânico. Em São Paulo, Grassmann fez o curso primário e completou seus estudos numa escola técnica onde aprendeu fundição, solda e se especializou em fazer entalhes na madeira. Mas a indústria de móveis não contratava quem fazia peças únicas. Foram seus colegas nessa escola três artistas plásticos que também tiveram notável desempenho: Flávio Shiró Tanaka, Otávio Araújo e Luiz Sacilotto. O jovem Grassmann descobriu que suas habilidades de entalhador eram úteis para produzir xilogravuras. Fez uma série delas, revelando desde o início uma inclinação para o fantástico, para a criação de seres insólitos e para uma obsessiva busca do esmero técnico, do bem fazer aliado ao fazer bem-feito.
A coleção Mário de Andrade, reunida no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, possui gravuras e desenhos de Grassmann. No verso de um deles, Mário, morto em fevereiro de 1945, anotou: "Marcelo Grassmann - Tem 19 anos." Por essa época, Sérgio Milliet, rigoroso e atilado crítico de arte, comprou para a Biblioteca Municipal de São Paulo alguns desenhos do artista. "Foi a minha primeira venda", recorda Grassmann. Uma contínua explosão de prêmios coroou seu talento: medalha de prata (1950), medalha de ouro (1951) e prêmio de viagem à Europa (1952) no Salão Nacional de Arte Moderna do Rio; melhor gravador e melhor desenhista nacional na 3.ª e 4.ª Bienal de São Paulo; prêmio de desenho na Bienal de Paris; sala especial na Bienal de Tóquio, etc. Exposições em Viena (com Max Ernst), Londres, Roma, Milão, México, Buenos Aires, na Índia, na Argélia, na Bélgica, na Turquia, nos Estados Unidos, nas capitais de quase todos os Estados brasileiros foram chamando para o trabalho do artista surpresa e admiração.
Em geral, chamam-no de expressionista. Mas a palavra expressionismo é uma barca enorme, onde cabe muita gente e muita diferença. Seus guerreiros e donzelas, peixes e crustáceos, cavalos e cavaleiros, tudo em seu universo temático transpira uma interioridade obsessiva que intriga. Além disso, ele nos dá uma continuidade imagética e plástica que flui de Leonardo da Vinci e de Rembrandt por esse elemento etéreo que se chama tempo, aportando entre nós com caráter próprio e inconfundível, em variáveis cambiantes de arquétipos gregos, medievais e renascentistas. As imagens nos chamam e nos causam estranheza. Simultaneamente, despertam em nós aquele bichinho provocante e investigativo chamado curiosidade. Estranheza e curiosidade nos levam a substituir a atitude de olhar pela atitude de ver.
Se nos aproximamos dos quadros descobrimos a extraordinária elaboração dos mesmos no entrecruzamento de linhas, traços de pena fina e de pena grossa se adensando nos pontos certos ou se aclarando com precisão decidida, volutas e volúpias de gestos configurando minotauros, elmos e olhos pasmos de guerreiros e donzelas que, enfim percebemos, além de habitar o desenho, também habitam dentro de nós.
A Semana Cultural Marcelo Grassmann, teve sua primeira edição no ano 1980. Acontecendo sempre no mês de setembro, mês de aniversário do artista (27 de setembro).



Auto-retrato
carvão s/ papel umedecido com cola
1946
38,2 X 28 cm
A grande atração da semana, é a exposição das obras do artista, que fazem parte do acervo da Casa de Cultura Marcelo Grassmann.